Dos primeiros santos brasileiros a um adolescente de calça jeans, os santos não são estátuas distantes: são companheiros de caminho que nos mostram que a santidade cabe na vida comum. Uma travessia pelos episódios do Anima que exploraram esse tesouro da fé católica.
Santo não é um super-herói: é um amigo
Quando o padre Fábio Vieira conta, no Anima, como conheceu Carlo Acutis, a história parece ficção. Ele viajava para a Itália em 2012 com um santinho na mão e um número de telefone impresso no verso; ninguém em Assis sabia quem era aquele jovem candidato a santo. Ao ligar, quem atendeu foi Dona Antônia, a própria mãe de Carlo, que distribuía os santinhos. Ela o buscou na estação de trem, levou-o para casa, e daquele encontro nasceu uma amizade que colocou o padre dentro da casa da família justamente durante a pandemia de 2020.
Essa proximidade revela algo essencial sobre a devoção aos santos. Como observou o padre, a devoção a Carlo se espalhou porque ele é acolhido como amigo, neto, primo, irmão. Os jovens dizem: "ele é meu amigo". Não veneramos os santos porque foram perfeitos e inalcançáveis, mas porque foram humanos como nós e chegaram ao céu. A Igreja não os inventa; ela reconhece, num processo rigoroso de exame de virtudes e milagres, aquilo que Deus já realizou numa vida. Por isso o culto que se presta aos santos nunca é adoração, reservada só a Deus, mas veneração e pedido de intercessão, como quem pede a um amigo mais próximo do Pai que reze conosco.
A santidade cabe na vida comum
Um dos maiores equívocos sobre os santos é imaginar que a santidade exige hábito, convento ou martírio. O episódio com o padre Alexandre Pinheiro sobre São José desmonta isso com força. José é o carpinteiro, o trabalhador silencioso, o pai que ensina Jesus a serrar madeira ao longo de trinta anos de vida escondida. Retomando a intuição de São Josemaría Escrivá, o padre lembra que é possível se santificar sendo engenheiro, advogado, médico ou cozinheira: varrer a calçada com amor já é santificante. A santidade não está em fazer coisas extraordinárias, mas em fazer o ordinário de modo extraordinário.
O Anima voltou a esse ponto em vários episódios que perguntavam, com bom humor, se existe "santo de calça jeans e tênis". Existe. Carlo Acutis usava roupas comuns, jogava videogame, programava sites, e tinha um único projeto de vida definido aos sete anos: estar sempre com Jesus, tendo o céu como meta. A convivência com a Eucaristia era o centro de tudo. É comovente a cena, narrada pelo padre Fábio, do babá hindu Rogers, que se converteu não por argumentos, mas por ver aquele menino se ajoelhar diante do sacrário toda vez que passava por uma igreja aberta. A santidade transborda em gestos: no jeito de servir uma água, de tratar o outro, de entrar num carro.
Santos do Brasil e do mundo: histórias que nos pertencem
O Brasil tem seu lugar nessa comunhão. No episódio sobre Frei Galvão, com Frei Leandro Costa, redescobrimos Santo Antônio de Sant'Anna Galvão, nascido em 1739 em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, o mesmo solo onde surgiria a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Filho de família numerosa, franciscano da Ordem dos Frades Menores, ficou conhecido pelas célebres pílulas com trechos de oração, sinal de uma confiança simples e concreta na intercessão divina. Que ele seja chamado por todos apenas de "Frei Galvão", e não pelo nome oficial, revela a intimidade afetuosa que o povo tem com seus santos, o mesmo que faz chamar São Pio de Pietrelcina de "Padre Pio".
Há também os santos ainda em caminho. Dom Roberto Lopes, responsável pela causa dos santos no Rio de Janeiro, resgatou no Anima a história de Odetinha, menina carioca de Madureira, morta com menos de nove anos em 1939, vítima de complicações respiratórias. Filha de família abastada, cobrava dos pais que os pobres visitados recebessem roupas dignas e defendia quem tinha fome com uma frase desarmante: "mamãe, ele só tem fome". Seu funeral parou a cidade, e há décadas fiéis deixam bilhetes em seu túmulo pedindo graças. Ao seu lado caminham figuras como Santa Teresinha do Menino Jesus, cuja devoção o Anima abordou com Dom Milton Kenan Júnior, e cuja obra História de uma Alma abriu para milhões o "pequeno caminho" da confiança.
Devoção verdadeira e superstição: uma fronteira que importa
Devoção não é magia. Essa distinção, tratada no episódio sobre superstição com Flávio Andrade, é decisiva para uma fé madura. Escapulários, medalhas, terços, imagens e novenas não são amuletos que "funcionam" por si mesmos; são sinais que sustentam e expressam a fé, ordenando o coração a Deus. O Catecismo, no número 2111, é claro: a superstição é um desvio do sentimento religioso, e recair na ideia de que a eficácia das orações ou dos sinais sagrados depende de sua mera materialidade, e não da disposição interior, é escorregar para o supersticioso. A diferença entre pendurar um terço e pendurar um "olho grego" não é estética: é doutrinal.
A imagem usada no programa é precisa: duas linhas paralelas em que um desvio de um centímetro, dez quilômetros adiante, leva a um lugar completamente diferente. Por isso o discernimento é indispensável. A devoção autêntica sempre conduz aos sacramentos, à conversão do coração e à caridade concreta, e nunca substitui a graça por um objeto. Foi assim com Odetinha diante da Eucaristia, com Carlo Acutis diante do sacrário, com Frei Galvão distribuindo confiança em papel. O sinal serve à fé; jamais toma o lugar dela.
Como viver isso hoje
O primeiro passo é escolher companhias. Adote um ou dois santos, leia sua vida, converse com eles como se conversa com um amigo. História de uma Alma, de Santa Teresinha, e os escritos sobre Carlo Acutis são portas de entrada acessíveis; a Consagração a São José, tema recorrente no Anima, oferece um caminho concreto especialmente para os homens redescobrirem a paternidade e o trabalho como lugar de santidade.
O segundo passo é enraizar a devoção nos sacramentos. Nenhum terço substitui a confissão e a Eucaristia; a piedade popular floresce quando desemboca na vida sacramental, não quando a contorna. O terceiro é traduzir a admiração em caridade: Odetinha se tornou venerável não por rezar bonito, mas por ver o rosto de Cristo no faminto. Os santos não nos convidam a copiá-los, mas a responder, no nosso tempo e no nosso estado de vida, ao mesmo chamado que eles ouviram. A santidade, afinal, não está fora de moda; ela está, sempre, ao alcance da mão.
Não veneramos os santos porque foram inalcançáveis, mas porque foram humanos como nós e chegaram ao céu.
Episódios que inspiram este texto
Ep #238 · O SEGREDO de CARLO ACUTIS para a santidade
Com o padre Fábio Vieira, mostra que a santidade é para hoje e para os jovens: Carlo Acutis, o sacrário como centro da vida e a conversão de quem apenas o viu rezar.
com Pe. Fabio Vieira
Ep #284 · Frei Galvão: Tudo sobre o primeiro SANTO BRASILEIRO
Frei Leandro Costa apresenta o primeiro santo brasileiro, Frei Galvão, e enraíza a devoção na nossa própria terra e história franciscana.
com Frei Leandro Costa
Ep #201 · Os Segredos da Santidade: Descubra o Caminho para Ser Santo Hoje
Dom Roberto Lopes explica a causa dos santos e narra a história de Odetinha, unindo santidade, infância e caridade concreta com os pobres.
com Dom Roberto Lopes
Ep #158 · Católico pode ser supersticioso?
Com Flávio Andrade, traça a fronteira entre devoção católica e superstição a partir do Catecismo, essencial para uma piedade madura e ortodoxa.
com Flávio Andrade